Saga da Família Vidigal Guimarães
Não estou por acaso no mundo do café. Levando em consideração o adágio “o que é do homem o bicho não come", a minha história já estava escrita!
Antes mesmo dos meus pais se conhecerem, meus avós maternos, Maria Vidigal Guimarães (vovó Naná) e João Vidigal Guimarães (vovô Janjão), já eram empresários no setor do café. Fazendeiros na cidade de Brás Pires, interior de Minas Gerais, residentes na Fazenda Itajurú. Fizeram desta fazenda uma das melhores e mais bem administradas de todo o Vale do Rio Doce. Eram primos em primeiro grau, casados em 15 de julho de 1937 e pais de dez filhos: Maria Auxiliadora, José Geraldo, Célia Maria, João Eudes, Hélio Harmando, Ana Silvia, Fernando, Valéria Maria, Elza Maria e Olga Maria.
Católicos, rígidos na disciplina e preocupados com a educação dos filhos, mudaram-se para Viçosa, terra do presidente da República Arthur da Silva Bernardes. A partir de 1956, a família passou a morar no que se chamava “Palácio das Águias”, em frente a uma torrefação de café de propriedade do Sr. César Santana. Logo vovô adquiriu a torrefação, que denominou “Café Ita”, em homenagem à sua Fazenda Itajurú. Mineiro que primava pela honestidade, afixou em seu novo estabelecimento comercial uma faixa com os dizeres: “Café Ita, torrado, moído e empacotado à vista do consumidor”.
Felizes e revigorados, e haja ingestão de café! Meus avós fizeram mais dois filhos, Vera Lúcia e Márcio. Com as rendas auferidas, os filhos do vovô Janjão e da vovó Naná puderam estudar e frequentar as melhores escolas e universidades.
A filha mais velha do casal, Maria Auxiliadora, minha mãe, que se diplomou em Magistério, veio a conhecer João da Cruz Filho, meu pai, então estudante da Universidade Federal de Viçosa. Ele formou-se em Agronomia e ambos se casaram no ano de 1964. Meu pai foi professor da Universidade Federal de Viçosa e pesquisador da planta do café. Tiveram quatro filhos: José Ulisses; Ana Maria; eu, Valéria; e Adriano.
Praticamente eu nasci e vivi, até completar 10 anos, na Universidade Federal de Viçosa. Que maravilha! Ia para a escola andando com meus irmãos e brincando na linha do trem!
Crescida, eu conheci Gianno, filho de cafeicultor em Vitória da Conquista-Bahia, que fora estudar em Viçosa e se formou em Agronomia. Casamo-nos em Viçosa no dia 20 de junho de 1992, e logo viemos morar em Vitória da Conquista. No ano de 1994, compramos nossa primeira fazenda de café, que batizamos de “Fazenda Viçosa”, homenagem à minha terra natal. Tivemos 03 filhos, Rafaela, Isabela e Renato, educados com a arte do café, café da fazenda e das minhas pinturas.
Então, meu bom Deus! Fala se o meu destino já não estava traçado com a temática do café? Café com Arte, para mim, já estava escrito nas estrelas! História que agora tenho a oportunidade de contar um pouquinho neste belo livro.
Por conta dos mistérios cósmicos, a minha querida vovó Naná se despediu desta vida no dia 15 de setembro deste ano de 2009, exatamente quando resolvi registrar a saga da nossa família Vidigal.
Na missa de 7º dia do falecimento da amada vovó, minhas primas Vanessa Guimarães Reis e Fernanda de Carvalho Vidigal, leram e escreveram este texto: “Maria Vidigal Guimarães, para os mais próximos Naná, nossa querida vovó Naná... Uma mulher simples, batalhadora, detentora de uma fé incalculável e de um coração enorme. Criou seus doze filhos, vinte netos e onze bisnetos com testemunhos de vida embasados nos ensinamentos de nosso Criador. Saudades que ficam... Quem não se lembra das conversas sobre a Fazenda de Itajurú? Dos almoços que começavam sempre com uma oração e terminavam com uma boa conversa e por que não um bom e velho buraquinho? Quem nunca rezou um terço das seis ou passou a tarde de domingo na cada da vovó Naná? E os Natais? Família toda reunida, muita alegria e oração, mesa farta, coração renovado e sempre focado no nascimento de Jesus, verdadeiro sentido do Natal! E aquele ‘beijinho doce’ que só ela tem? A casa da vovó sempre foi e continuará sendo um refúgio seguro para os familiares que estão longe e para aqueles que estão perto. O seu amor resultou em bons frutos, seus filhos sempre estiveram ao redor, retribuindo todo amor e carinho recebidos, em especial os que moravam com ela — Ana, Célia, Elza e Márcio (in memoriam) — e a ela se dedicaram. É, vó! A saudade é a certeza de que a presença querida continua muito viva dentro de nós. No coração de cada um ficará sempre a lembrança de todos os ensinamentos aqui deixados pela senhora, mas principalmente pelo maior de todos: ‘Família unida, dificuldade vencida’”.
(releitura biográfica)
Esta é uma história real, parte integrante do livro Café. A SAGA DE UM HERÓI. Arte e café! DO PLANALTO DE VITÓRIA DA CONQUISTA PARA O MUNDO, vivida e relatada pela artista plástica Valéria Vidigal, co-autora do livro, mineira residente em Vitória da Conquista-Bahia.